O I Ching, também conhecido como Yi Jing, significa literalmente “O Clássico da Mudança”. É um dos textos mais antigos da humanidade e uma das bases fundamentais da metafísica chinesa.
O I Ching estuda os padrões da mudança e a forma como tudo no universo está em constante transformação. A sua estrutura assenta nos 64 hexagramas, combinações de linhas yin e yang que representam diferentes estados, dinâmicas e fases da vida. Estes hexagramas são interpretados como símbolos vivos dos movimentos da natureza, das relações humanas e dos ciclos do tempo.
Embora seja amplamente conhecido como um oráculo, o I Ching é muito mais do que um método de previsão. É um sistema profundo de observação, reflexão e consciência, utilizado ao longo de milhares de anos para ajudar na tomada de decisões, compreender situações presentes e antecipar tendências futuras.
Os princípios do I Ching influenciaram praticamente toda a metafísica chinesa, estando presentes no Feng Shui, astrologia oriental, seleção de datas, medicina tradicional e muitas outras artes clássicas. Mais do que prever acontecimentos, o I Ching ensina a reconhecer o fluxo natural da vida e a agir em harmonia com ele.
O I Ching tem duas histórias… A história mitológica e a história científicamente verificável que tem vindo a ser investigada nos últimos anos. A mitologia chinesa atribui a origem dos hexagramas assim como a maioria dos princípios da metafísica chinesa a Fu Xi (3000 AC), o primeiro dos "Três Augustos" e fundador da civilização chinesa. Subsequentemente, a lenda da génese deste clássico está intimamente ligada ao início da dinastia Chou (1143 AC), com o aparecimento do Chou Yi o livro predecessor do I Ching. De uma forma quase contemporânea apareceu o Yao Ci que detalha o significado das linhas e séculos mais tarde, Confúcio e seus discipulos adicionaram comentários ao texto no clássico "As Dez Asas". Sob o ponto de vista arqueológico, os primeiros textos existentes (em seda) são provenientes de túmulos do início da dinastia Han (200 AC), mais concretamente os túmulos em Mawangdui perto de Changsha na província de Hunan.
Tal como já se referiu, a aplicação dos hexagramas é transversal a toda a metafísica chinesa. Outro nome a reter é o do famoso filósofo Shao Yong da dinastia Song (cerca de 1000 AD). Shao Yong recuperou a sequência original de Fu Xi e transformou-a num arranjo circular. Essa sequência circular transcrita nos luo pans san yuan é a base do Feng Shui "Xuan Kong Da Gua". Em termos de I Ching - oráculo própriamente dito existem duas escolas de interpretação. Uma mais técnica, Hsiang Shu ou imagem-numerologia, que dá ênfase ao estudo segundo o relacionamento entre as linhas, e uma mais artística, I Li, que dá ênfase à interpretação dos textos. Uma conhecida faceta do método imagem-numerologia é o oráculo da flor da ameixoeira "Plum Blossom Divination".