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O Feng Shui em perspectiva Mónica Araújo, 05 de Dezembro de 2016

Um dos princípios da metafísica chinesa onde assentam os conhecimentos de Feng Shui é o San Cai, ou seja, a existência de 3 mundos energéticos distintos: o mundo energético do Céu (Yang), o mundo energético da Terra (Yin) e o Homem, que está sujeito a estas 2 influências.
 
É com base neste conceito de triplicidade (que se encontra em muitas outras abordagens mas com diferentes nomenclaturas) que se desenvolve o Feng Shui. Isto porque o sentido da vida está precisamente na busca do equilibrio entre estas energias em constante mutação, de acordo com a ciclicidade da vida e com os ambientes envolventes.
 
Por exemplo, os Kuas ou Trigramas, uma das bases do Feng Shui, são exactamente representações gráficas das 8 possíveis combinações entre a energia yin e yang ao nivel dos 3 mundos. Eles representam o movimento de cada um dos fenómenos da Natureza e são compostos por 3 linhas que ligam cada um deles precisamente à energia celeste (linha de cima) e à energia terrestre (linha de baixo). Sendo que o Homem se encontra representado pela linha do meio, reforçando a ideia de que este está no Mundo do Meio, entre o que é material e o que é imaterial.
 
Os Trigramas podem ser organizados entre si sequencialmente segundo 3 sequencias: a Sequencia Celeste Anterior, a Sequencia Celeste Posterior e a Sequencia Celeste do Meio do Céu. As mais conhecidas são a  Sequencia Celeste Anterior (SCA), que representa o mundo energético antes da criação, e a Sequencia Celeste Posterior (SCP), que representa o mundo tal como nós o vemos e sentimos, depois da criação da matéria. É destas sequências de trigramas que deriva o tão conhecido BaGua, que é o mapa de referência em Feng Shui. A palavra BaGua tem origem precisamente da tradução de 8 trigramas: Ba (8) Gua (Trigramas).
 
Existem ainda muitas outras camadas de informação que são estudadas em Feng Shui e que tornam esta arte tão completa e tão fascinante para mim, tais como a introdução do factor tempo, uma vez que a energia não é sempre igual ao longo dos diferentes ciclos exteriores, e o próprio homem também vai sofrendo diferentes influências em diferentes fases da vida.
 
O Luo Pan, por sua vez, é a bússola por excelência dos consultores e mestres de Feng Shui. Esta bússola é considerada a mãe das bússolas marítimas e surgiu por volta do século 4DC, 1500 anos antes da adoção da bússola de navegação. Esta bússola é de uma complexidade e simetria incríveis ao nivel da informação que representa e através da forma como está estruturada.
 
Mais uma vez a energia do Céu e da Terra estão aqui representadas e passíveis de serem interpretadas. Tanto pela sequência de informação que traduz (Sequência de Shao Yong), como pela própria estrutura da bússuoa em si. Este instrumento complexo e magnifico é estruturalmente composto por 2 partes: O Tian Pan (Prato do Céu - giratório), que nos permite fazer uma leitura sobre a energia celeste, ciclica em constante mutação, e o Di Pan (Prato da Terra - fixo), que nos permite firmar o Luo Pan de forma a podermos fazer uma correcta leitura do espaço.
 
Com esta reflexão gostaria de deixar em perspectiva estes conceitos de Feng Shui que me apaixonam e me fazem acreditar que esta é uma das artes mais completas que alguma vez estudei, com uma aplicação muito prática no dia-a-dia e nos espaços em que habitamos. Em última análise estamos sempre a falar sobre a enegia do Céu - a energia cósmica e divina que dita a nossa sorte, a energia da Terra - que nos enraiza e liga ao mundo material, e o Homem - a forma como ele é afectado por todas estas combinações energéticas nas suas diferentes fases de vida e também nas diferente fases do seu ambiente envolvente.