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O Bagua Sofia Batalha, 19 de Dezembro de 2013

O Bagua é a ferramenta base de interpretação em Feng Shui, na sua abordagem intuitiva e simbólica. É tão ancestral como o YiJing (I Ching), variando na interpretação ao longo do tempo e do espaço. Diz-se que os números estão dispostos em função da sequência de passos de uma dança sagrada taoísta. Ba significa 8 e Gua trigrama ou hexagrama, sendo a tradução 8 trigramas. Este quadrado mágico é uma mandala que espelha um ciclo sagrado. Como todas as mandalas tem múltiplos níveis de interpretações e significados.

As mandalas e ciclos sagrados existem pelo mundo fora em enumeras culturas e cosmologias diferentes. Todas representam as forças da natureza e os elementos. Têm as suas raízes nos quatro cantos da terra, representando os pontos cardeais, norte, sul, este e oeste. Representam o celestial e o mundano. O tempo e o espaço.

Estes diagramas rituais contém também ensinamentos e interpretações ligados à vida, corpo, bençãos, espírito e humanidade. Desde a antiguidade que a realidade é interpretada e trabalhada através destes sistemas de significados e símbolos, ajudando a abrir o caminho para a cura e transformação. É através deste quadrado mágico que se aplica a simbologia ao espaço a analisar. A colocação do Bagua numa casa ajuda-nos na interpretação da sua simbologia e potencia o caminho para a resolução das questões manifestadas. É um alfabeto essencial que ajuda a expandir a compreensão da nossa experiência.

Aplicando o Bagua por cima da planta a interpretar, percebemos que zonas da casa estão em transformação, mutação, estagnação, evolução ou simplesmente negligenciadas. Dado que para cada uma destas zonas existe uma simbologia específica, é possível também perceber em que áreas pessoais é necessário investir mais atenção.
Uma análise de Feng Shui Simbólico não é linear, nem racional. O simbolismo de cada sector é relativo e emocional. Para que a interpretação seja coerente e bem orientada é necessário ter bem presente este alfabeto simbólico, senti-lo e conhecê-lo profundamente, vibrando com ele.

Ao longo do tempo, o Bagua tornou-se uma ferramenta popular: "tenho a cozinha da área das bençãos", "tenho o quarto na zona da montanha", "tenho um wc em 9".
São tudo formas de interpretar o espaço privado, segundo os vários sectores do quadrado mágico. No entanto e apesar dos distintos significados das várias áreas do Bagua é preciso ter presente que, na abordagem do Feng Shui Simbólico, a casa deve ser trabalhada de forma integrada no tempo e no espaço. Ou seja, além de trabalhar zonas específicas em alturas determinadas, toda a casa deve tomada como um todo, como UMA entidade.

O Feng Shui intervém na qualidade do chi de uma habitação e este chi, ou energia vital, tem as suas fronteiras difusas. As diferentes vibrações de cada sector diluem-se e transformam-se umas nas outras. Por outro lado, as alterações feitas num determinado sector vão sempre influenciar todo o Bagua, e claro, toda a casa e seus habitantes.

Como as várias áreas desta poderosa mandala são sempre interdependentes umas das outras e do todo, o Bagua não deve ser trabalhado sector a sector, mas de forma una, completa e total. Unindo a vibração da casa aos seus habitantes sob uma poderosa intenção de transmutação. Desta forma, o trabalho de feng shui na casa e na vida fica potenciado.