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I Ching - Mudanças e Mutações II Ana Brísio, 07 de Setembro de 2017

O I Ching manifesta-se como um poderoso meio de revelação dos nossos processos inconscientes trazendo-os à luz do nosso consciente.

Ao colocarmos uma questão ao I Ching, acedemos à fonte de sabedoria infinita que reside no nosso inconsciente e cuja informação ou resposta aos nossos anseios nos chega representada por um conjunto de 6 linhas a que se dá o nome de hexagrama.

Umas inteiras e outras “partidas” ou descontínuas, estas linhas representam duas forças ou movimentos opostos e complementares, interdependentes uma da outra. São as duas polaridades que fundamentam todo o universo – Yin e Yang – e que, dependendo da sua organização ou posição, dão origem a um determinado hexagrama com vibração e informação própria passível de ser lida. Na estrutura deste, podemos encontrar linhas yin ou yang que se encontram em transformação e a mudar de polaridade, o que nos informa do que está por vir.

Colocar uma questão ao I Ching equivale em traduzir por palavras uma escolha que ainda não conseguimos fazer. A sua resposta é um trazer à  luz da consciência o que até então se mantinha escuridão do inconsciente.

O oráculo não falha e se as suas respostas são confusas, é porque a pessoa não tem bem claro o que deseja saber.

A pergunta deve ser colocada por escrito, obrigando-nos a pensar bem quer na sua estrutura, como no que realmente nos move ou inquieta. Da clareza da pergunta depende a clareza da resposta, pois só quem sabe o que procura pode encontrar as respostas que precisa.

Sabendo que não obtemos respostas de sim ou não, de nada nos serve fazer perguntas do género “Eu este Verão vou à praia?”. Com esta pergunta estaríamos à espera de uma resposta definitiva e fechada do tipo sim/não e de um prognóstico.

A adivinhação é essencialmente contrária aos princípios do I Ching já que retira ao ser humano todo e qualquer poder sobre o desenvolvimento dos acontecimentos. Este não nos impõe nenhum futuro.  Apresenta-nos as diferentes facetas de uma situação e as possibilidades de mudança que ela contém, permitindo-nos uma adaptação mais adequada à situação.

Cabe ao homem decidir se quer ou não ir à praia, e se sim, a questão a colocar ao I Ching seria por exemplo: “O que devo fazer para ir à praia este Verão?”. Se a consulta ao oráculo tiver o objectivo de esclarecer acerca do caminho a seguir ou decisão tomar, então as questões "O que posso esperar se for à praia este ano?” e ”O que posso esperar se não for à praia este ano?” podem ser colocadas.

Humildade, passividade e receptividade são os atributos que necessitamos ter presentes para que a grande mensagem chegue até nós.

Abrir o I Ching é abrir-se à mudança e sabemos que esta começa pela consciência humana, pois é ela que modifica o Universo que nos rodeia.