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Feng Shui e o alinhamento das perspectivas Paula Alexandra Oliveira, 11 de Setembro de 2018

Quem trabalha com a arte do Feng Shui profissionalmente sabe o quanto é importante para o equilíbrio do consultor fazer um exercício continuado de observação sobre si próprio e o seu ambiente.
Neste contexto tem estado muito presente em mim a necessidade de trabalhar a energia dos meus antepassados, da minha linhagem. Desta feita utilizei um método que tenho desenvolvido a nível pessoal, o meu método de Feng Shui Coaching® que é uma prática de alinhamento mental e emocional que trabalha em conjunto com as 5 transformações e o mapa mental do praticante a que temos acesso pela utilização da Astrologia do Ki das 9 Estrelas.
Como resultado deste alinhamento veio ter à minha mão, nem me lembro como, uma notícia sobre um trabalho de datação de árvores que começou a ser feito desde as obras na barragem do Alqueva e as autoestradas do Alentejo em que foi necessário derrubar dezenas de árvores. Desde então a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro desenvolveu um novo método de datação de Oliveiras milenares como forma de proteção desta espécie que nos é tão querida.
Assim foi descoberta a Oliveira mais velha de Portugal que nasceu há, pasmem 3350 anos!!!! Será que verdadeiramente conseguimos conceber um Ser vivo, vivo e a produzir desde há 3350 anos? Na verdade 3352 porque a datação foi feita há 2 anos. E continua, linda viva e fresca a dar azeitona como uma “rapariga nova”. E assim continuará se a mão humana não intervir negativamente. Que o grande Wu Ji a proteja!
A verdade é que li esta notícia e fiquei com uma vontade imensa de a visitar. E porquê? Bom, trabalhar a nossa Casa 3 do Ba Gua, o passado, a família, a linhagem traz sempre muitos desafios e, ainda mais no meu caso, que conto apenas com 3 familiares diretos vivos e, da parte da linhagem paterna,  não me foi dada a possibilidade de conhecer o meu pai, que morre por infelicidades da vida quando tinha apenas dois anos e, toda a família desse lado é desconhecida ou, simplesmente, não te quer conhecer. Assim, fica a simbologia de um nome: Oliveira, nome que tanto o meu avô paterno como o meu avô materno partilhavam. Sou, definitivamente Oliveira e a notícia de uma Oliveira com 3350 anos atraiu-me como se, simbolicamente, 3350 anos de linhagem e de história me chamassem, antes gritassem por mim.
Pois um destes dias decidi-me, eu mais a minha outra Oliveira viva, a minha querida mãe, eterna companheira na estrada da vida e decidimos ir visitar a nossa árvore simbólica.
Sabemos o quanto em Portugal, encontrar caminhos pode significar uma busca desafiante; e esta Oliveira está numa aldeia algures perto de Abrantes pelo que me preparo para uma busca que se mostra difícil: faço pesquisa na internet dos caminhos pois no GPS nem a localidade existe e aí vamos à aventura. Chegadas à estação de serviço de Aveiras paro para beber um café e qual não é o meu espanto quando percebo que preparei tudo para trazer na viagem, mapa do caminho, todas as indicações e verifico desolada que me esqueci de tudo: mapa, tablet, internet e até a carteira. No princípio do caminho (que também tem ligação com a Casa 3, a energia dos inícios) encontro-me sem saber o caminho e sem identidade! Sabia o nome da terra, Cascalhos, em Maceira Abrantes e decidimos, ainda assim, avançar!
E a verdade é que chegamos. Mas chegamos a um lugar onde existem centenas de Oliveiras, no entanto seres humanos nem um. Casas… muitas, árvores… centenas, mas pessoas ou, até animais nada. Sim porque não sei se sabem que há locais onde quase não há pessoas, mas os cães da aldeia quando chegas vêm cumprimentar-te e ficam contigo todos os dias da tua visita e levam-te a conhecer os pontos de interesse dos locais. Tenho essa experiência sempre que vou sozinha ou com amigos fazer retiro para os “montes”!
Bom, aldeia dentro, não aparece ninguém, regressamos à entrada da vila onde me parece ter visto um café, que, visto de fora me parece deserto e fechado, mas, ainda assim, decido ver e… felicidade!!! Não está fechado nem deserto. Dentro, além da dona do café, uma senhora com um ar de quem sabe muito está uma simpática família. É que há momentos na nossa vida que as tecnologias não podem, mesmo, ajudar. Ou tens pessoas ou não tens nada. Pergunto e o senhor do grupo, prontamente me explica: “é mesmo por trás do café, é difícil de encontrar porque é estreito o caminho, mas pode levar o carro sem problema”. E a senhora do café grita com orgulho: “sim, é a nossa árvore, está ali na parede naquele calendário, está a ver?... acho que a querida senhora me mostrou a imagem porque pensou… hum, esta vem de Lisboa… é capaz de passar pela árvore e nem a ver o melhor é mostrar já aqui!
E não se engana muito pois, sigo feliz, as indicações dadas mas  depressa percebemos que, no local, as indicações são mais difíceis de perceber: é que estrada que te leva à Oliveira, vista pelos olhos de quem não conhece mais parece o quintal de uma das casas da rua! A sorte é que o senhor que me deu as indicações percebeu a nossa dificuldade e veio atrás de nós e indicou o caminho. Gratidão! Ao fim de uma rua estreita um largo e, no centro, do alto dos seus 3352 anos eis que se ergue a Oliveira mais velha de Portugal. Linda, robusta e presente!
Ali permanecemos, recolhemos fotos, abraçamo-nos a ela como a um parente que não vimos à muito tempo! e surge em mim uma reflexão alinhada sobre a energia que me levou até lá: aquela árvore, para  sobreviver 3352 anos teve que ter quatro coisas essenciais: o amor da terra que a alimenta (mãe), o calor do céu que a protege (pai), disponibilidade para os receber (livre arbítrio) e ausência de influências negativas externas (ambiente).
Nós somos, entre os seres da criação o que tem mais potencial de criação, mas, também o que está sujeito a maior tipo de influências externas negativas. Diz-nos a arte do Feng Shui que o homem é uma antena, um recetáculo de energia do Céu e da Terra e, aqui caminhamos, sempre em movimento porque movimento é vida, sempre recebendo a influência dessas duas forças que, consoante o nosso alinhamento e o ciclo onde nos encontramos, tanto nos levam para a frente como nos derrubam no chão. E cada Ser tem a sua Sorte: a uns a terra e o céu são pródigos a dar alimento e amor; para outros o esforço é maior. No entanto, a todos é dada um terceira Sorte: o livre arbítrio, que nos dá possibilidade de escolher, entre o fluxo da vida, o caminho. E é imprudente viver a vida como se tudo fosse lindo e um mar de rosas, assim como também é incorreto viver como se todo o mundo e a vida estivessem contra nós! A vida é ciclo, é fluxo. A uns é dado, terra e sol e amor suficiente para crescer e durar! A outros não. E isso acontece não porque a vida ama mais a uns do que a outros. Isso acontece porque os que muito recebem devem aprender a dar e a ser gratos! Os que muito têm de dar têm de aprender a receber e a conviver com a sua própria vulnerabilidade. E aqui, amigos…apenas as leis da natureza podem ajudar!
Não importa se temos neste momento da nossa vida, substrato ou não para crescer. O que importa é o que fazemos com o pouco ou o muito que temos!
Assim, para todos os que se sentem sozinhos na busca dos vossos sonhos, ou porque não há espaço suficiente, ou amor suficiente ou coragem suficiente, uma coisa eu aprendi depois de tantos sonhos abortados: é que existem leis no meio de todo este caos de perspetivas. E podemos sempre contar com a simbologia da natureza para recordar como Ser!
Há muitos anos escrevi um poema que reza assim:
“Só é verdadeiramente livre quem não tem nada de seu,
Quem tem alma de Poeta, raiz que a terra penetra, braços que se abrem ao céu!”
Bom, com a prática da arte do Feng Shui descobri que sou mais Oliveira do que alguma vez reconheci Ser.
Boas práticas e tudo a fluir~~~