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Feng Shui Clássico & Feng Shui Contemporâneo Paula Oliveira e João Borges, 01 de Setembro de 2016

Feng Shui Clássico & Feng Shui Contemporâneo
Artigo de João Borges & Paula Alexandra Oliveira
Consultores de Feng Shui, Diretor e Coordenadora da ENFS – Setembro de 2016

Muitas das dúvidas que surgem em contatos com a nossa escola prendem-se com os interessados quererem saber, afinal o que é o Feng Shui denominado Clássico e o que o diferencia do chamado Feng Shui Contemporâneo. No sentido de tentar esclarecer escrevemos este artigo que tem como objetivo clarear este assunto.
Resumidamente, podemos dizer que o termo Feng Shui (Vento e água) surge associado a um conjunto de ensinamentos com raízes na metafísica chinesa que nos ajudam a compreender as leis que regem este universo em que nos encontramos e a fluir com essas leis. 
 
A Génese do Feng Shui
Se olharmos com paciência e sentido de estudo os céus à noite percebemos que as estrelas aparecem em diferentes padrões de acordo com as estações.
Os chineses tiveram essa paciência (é bem conhecida a paciência de chinês) estudaram estes padrões e perceberam que podiam antecipar os ciclos específicos de cada estação e perceber a melhor altura para plantar, para preparar os campos e para colher, tudo na altura mais certa de acordo com os ciclos da natureza. E daqui eles desenvolveram os princípios da sua filosofia. E da compilação deste conhecimento metafisico integrado nasceram conceitos transversais que foram aplicados às diversas áreas do conhecimento e estão na origem das 5 artes ou Wu Shu das quais faz parte a Arte do Feng Shui. São elas: Shan, ou Montanha, que diz respeito à filosofia pura, o Dao; a Medicina ou Yi, onde se enquadra a acupunctura ou outras medicinas orientais; Pu ou adivinhação, como o I Ching; Ming ou destino, como o Ba Zi ou a Astrologia do Ki (conhecimento muito mais recente); e, finalmente, Xiang, ou a Forma, onde encontramos o Feng Shui Yin (para os mortos) e Yang para os vivos.
 
E um aluno de Feng Shui de tempo idos, até se tornar mestre e ser reconhecido como tal estudava e conhecia sobre todas estas áreas de conhecimento. Após a revolução comunista de 1949 e a entrada no poder de Mao Tse Tung muitos dos conhecimentos integrados dos quais podemos nomear o Qi Gong (ou Chi Kung) ou o Feng Shui, foram banidos e os seus mestres expulsos do território chinês sobrevivendo na china tradicional (Taiwan e Hong Kong) e nas comunidades chinesas no exterior tais como em Singapura e Malásia.
 
Com isto ganhou o ocidente pois esta foi a forma deste lado do mundo, de eu e você que lê este artigo puder estar a falar sobre o assunto, pois permitiu-nos conhecer e integrar esta filosofia e as suas ramificações de conhecimento. E aqui a palavra integração é importante. É que a formatação e o nível racional de um oriental e de um ocidental são diametralmente opostos. Uma diferença essencial: o ocidental é formatado desde que começa a pensar para acreditar na visão separatista do universo. O oriental é formatado com uma visão que ensina que existe uma ligação entre todos os fenómenos. E, o desenvolvimento em áreas da Física Quântica, vêm, cada vez mais corroborar esta perspetiva. 
 
Feng Shui Clássico
Feng Shui clássico é o Feng Shui propriamente dito. São os conhecimentos milenares passados de geração em geração através das denominadas “linhagens”. Tem a experiência acumulada de inúmeras gerações e milhares de cabeças ao longo dos tempos. Isto em variados ambientes geográficos e humanos e civilizacionais. Os casos de sucesso contabilizam-se tanto em ambientes urbanos como rurais, em territórios montanhosos ou planos, no ocidente ou no oriente, em diferentes civilizações e ao longo de vários séculos.
 
De uma forma simplista, no Feng Shui clássico temos por exemplo a noção que existem direções e locais mais auspiciosos que outros. Vivendo em locais auspiciosos, utilizando direções auspiciosas, estes trazem os dois tipos principais de benefícios: os benefícios yin e benefícios yang. Benefícios yin são em termos de saúde, poder pessoal, vida familiar e relações humanas (amorosas e outras). Os benefícios yang são por exemplo em termos de riqueza, prosperidade e vida social. Por outro lado se estivermos expostos a locais e direções negativas, estamos mais expostos a doença, perdas financeiras e outros desafios vários.
 
Intervenções típicas do Feng Shui clássico consistem por exemplo em mudar de quarto de dormir ou escritório, utilizar preferencialmente uma porta de entrada em detrimento de outra, mudar a direção para trabalhar ou para dormir ou colocar certas curas como o sino de cobre ou a água de sal. Existem duas grandes escolas de pensamento, a escola “Três Harmonias” que dá grande foco à forma exterior e a escola “Três Períodos” que utiliza o fator tempo.
 
Feng Shui Contemporâneo
O Feng Shui contemporâneo tem a sua génese no contacto entre diferentes civilizações. A primeira fusão de ideias foi feita na década de 80. Lin Yun, um monge do budismo tibetano residente nos EUA criou o designado Feng Shui do chapéu preto que contém elementos do Feng Shui clássico e do Vastu, arquitetura hindu. Este sistema simples divide a casa em oito setores onde segundo a tradição do Vastu, a porta está sempre na fachada norte (setores Norte, NE ou NO) e por isso não necessita do uso da bússola ou Luo Pan.
 
Originalmente feito para benzer casas segundo rituais tibetanos, os altares eram por exemplo colocados no setor Noroeste (setor do pai e espíritos protetores), a bênção das relações era feita no setor Sudoeste (da mãe e família), etc. Estes rituais incluíam a colocação de objetos em cada setor. Daí este sistema ter sido pouco depois apelidado como “a arte da colocação (oriental)” - literalmente em inglês “The art of placement”. Daí ao conceito de design de interiores com Feng Shui foi um passo.
 
Um dos alunos de Lin Yun foi William Spear, um consultor macrobiótico americano. Bill Spear fez a fusão entre o Feng Shui chapéu preto e conceitos macrobióticos para criar o designado “Feng Shui Intuitivo”. Esta formula foi depois exportada para Londres e daí para o resto da Europa e do mundo ocidental no início da década de 90, tendo tido um sucesso imediato e fulgurante. Uma das razões deste sucesso foi o fato do sistema ser extremamente simples, podendo ser aprendido num único fim de semana.
 
O nome “Feng Shui” tornou-se então, um lugar comum no imaginário das pessoas. Várias associações foram atribuídas à designação, algumas por razões de marketing. Originou-se por exemplo “Culinária Feng Shui”, “Mobília Feng Shui” e até mesmo “Sabonetes Feng Shui”. Disto resultou também alguma publicidade menos boa. Mas nem tudo foi negativo. O sucesso desta fórmula teve o condão de alargar o conceito de “Feng Shui” e contribuir em muito para a sua continuidade  e permanência no ocidente. Presentemente “Feng Shui” relaciona-se com tudo o que tem a ver com a influência energética (e mesmo física) dos espaços habitacionais na vida dos seus ocupantes.
 
Eis alguns dos sistemas que vieram enriquecer o Feng Shui. Feng Shui Space Clearing (limpar as energias negativas do passado e presente) tem a sua origem na cultura de Bali / Indonésia e foi popularizado por Karen Kingston e Denise Lynn. Feng Shui das oito direções uma das ferramentas mais usadas para design de interiores é baseado na Direccionologia Japonesa e foi introduzido por Takashi Yoshikawa. Geobiologia é uma arte ocidental, etc. Feng Shui simbólico é baseado no Feng Shui intuitivo mas incorpora também elementos da psicologia interpretativa de desenhos (da planta da casa). Este método é popular em Portugal e constitui, entre outros benefícios, uma excelente forma de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.
 
Clássico ou Contemporâneo?
A resposta a essa questão reside em primeiro lugar no objetivo da pessoa. Por exemplo para harmonização do espaço ou design de interiores, o Feng Shui contemporâneo é o indicado, até porque do ponto de vista clássico, o Feng Shui para tal não é usado. Para questões como de doenças concretas ou aumento de prosperidade, os cálculos clássicos terão porventura ferramentas, curas e aplicações mais objetivas. Isto também porque no Feng Shui clássico não existe ou conceito de “intenção” e por consequência de “simbologia”. Isto é não depende do fato de o habitante se identificar mais ou menos no processo ou acreditar mais ou menos no processo, não depende do fator humano.
 
Imaginemos uma mulher que está preocupada com o trabalho do marido que é a fonte única de rendimento. Pede a um consultor de Feng Shui clássico uma consulta e a recomendação é mudar do quarto A para o quarto B. O marido não tem qualquer fé ou crença em Feng Shui. No entanto, tal como quem vai a uma consulta de acupunctura, o terapeuta não pede ao paciente para acreditar nas agulhas, estas irão ter o efeito independentemente do processo mental do marido. Assim o Feng Shui clássico não depende do fator humano e o rendimento do marido irá melhorar.
 
Em termos de prática profissional é também uma questão de preferência e orientação pessoal. O Feng Shui contemporâneo adapta-se bem à mente ocidental nas suas diferentes vertentes, enquanto que o Feng Shui clássico serve melhor os apaixonados pela metafísica chinesa. Muitos consultores utilizam estas duas abordagens de uma forma complementar e produtiva. Por isso no curso elementar e profissional da ENFS são ensinadas ambos tipos. Esta abordagem permite  também ao aluno descobrir as formas que melhor se adaptam ao seu percurso.
 
Certificação e escolha de um curso
Para quem quer praticar Feng Shui de forma profissional deve escolher uma escola que tenha as bases adequadas de Feng Shui clássico e também disciplinas de Feng Shui contemporâneo. Isto porque praticar Feng Shui contemporâneo sem ter as bases técnicas do Feng Shui clássico é desprovido de sentido. As associações internacionais tais como a Feng Shui Society no Reino Unido exigem única e exclusivamente as bases corretas em Feng Shui clássico, até porque a prática do Feng Shui contemporâneo tem um cunho vincadamente pessoal. Por isso qualquer certificação exclusiva em Feng Shui contemporâneo tem apenas como selo de qualidade a reputação da pessoa ou escola que assina o diploma e não reconhecimento por outros.
 
Claro que quem quer saber mais pode inscrever-se no nosso curso de Elementar de Feng Shui que tem um currículo muito equilibrado entre os dois métodos e o aluno é convidado a conhecer, trabalhar e escolher o seu percurso. Tem 3 anos para o fazer porque em Feng Shui, tal como na natureza, não há “fast food”.
E para terminar este artigo sobre os métodos de Feng Shui, mais importante será: conhecer, apreender sobre o assunto, ouvir os mestres sem nunca deixar de escutar o mestre principal que é o nosso coração e fluir~~~, tal como nos ensina o “vento e a água”.