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Entrevista com João Borges Sofia Batalha, 04 de Novembro de 2014

O que te fez interessar por Feng Shui? O interesse nasceu devido à minha saúde pessoal frágil na adolescência, que me levou a procurar formas alternativas para debelar os meus problemas. O meu percurso começou com a macrobiótica que é uma perspetiva da metafísica chinesa, uma forma de Taoismo moderno. No entanto foi no Feng Shui e na Astrologia Oriental onde encontrei as aplicações mais puras e fascinantes. Também desde sempre tive ligado pelo meu pai e pelo meu curso (engenharia civil) a casas e construção. O Feng Shui liga estas duas vertentes.

Como foste seguindo os passos da formação? O que te fez sentido e o que não? Na macrobiótica Michio Kushi e Georges Ohsawa foram os meus primeiros mentores. Depois no Feng Shui contemporâneo, Bill Spear abriu o caminho. Através de Chan Kun Wah na década de 90 fui introduzido às formas clássicas. Tive depois vários mestres, mas quem me marcou mais foi Francis Leyau, da CAFS na Malásia. Descobri que pelo menos 95% do feng shui atual foi literalmente “inventado” nos últimos 30 – 40 anos, incluindo a maioria do “feng shui clássico”. As formas tradicionais têm ainda muito de secreto especialmente os segredos da aplicação. Sou um adepto do feng shui clássico TRADICIONAL.

De que forma mudou a tua vida? Muita coisa. Para já a minha vida profissional. A Escola Nacional de Feng Shui que fundei em 1997, é uma das principais na Europa. Ocupo muito do meu tempo a dar consultas, ensinar, estudar (sou viciado em aprender) e a escrever livros e apontamentos para os alunos. Os meus estudos levam-me a viajar todos os anos por vários países na Ásia. Fiz também inúmeros conhecidos e alguns amigos nesta área pelo mundo fora.

Queres partilhar alguma história sobre a aplicação do Feng shui na tua vida? O que resultou, o que não resultou? A partir de 2004 comecei a ter dificuldades financeiras e a One World Festival, uma outra empresa minha, estava a dar prejuízo. No meu primeiro curso em Malaca com Francis Leyau fiquei hospedado na sua casa de estudo, onde também decorriam as aulas. Queixei-me que os preços eram muito altos e que não tinha dinheiro para estudar. No final, com táxi marcado de volta para Kuala Lumpur, o mestre levantou-se às 5 da manhã para me dar pequeno almoço. Ao tomarmos os dois o café juntos, pediu-me para lhe desenhar a planta da minha casa e perguntou-me a medição da porta (dorso na montanha Gui) e a data de ocupação. Em cerca de 5 minutos deu-me uma consulta. Após seguir as suas recomendações, tive um ano financeiro fantástico. Foi assim que após muitos anos, se começou a finalmente a fazer luz. A forma mais direta de avaliarmos o sucesso da nossa prática é através resultados concretos, medíveis tal como o saldo da nossa conta corrente.

Queres deixar algumas palavras para quem se interesse por Feng Shui? É um caminho maravilhoso para quem se interessa pela filosofia oriental. Traz benefícios à saúde, aos relacionamentos e outras áreas da vida em geral. Na minha atividade concentro-me em especial em formas de criar prosperidade. Mas acima de tudo é uma forma de desenvolvimento pessoal. Requer muito tempo e dedicação antes de se obterem resultados. É o estudo não de uma vida mas de várias vidas. De referir que ligado ao Feng Shui vem o I Ching, O Qi Men Dun Jia, Ba Zi, Seleção de datas, etc. Um outro nome para a macrobiótica é “Educação Vitalícia” e um dos princípios básicos “Mente de Principiante”. Pensar que se sabe é o início do declínio. Mas sempre tendo em mente que o Feng Shui é baseado em EXPERIÊNCIA e OBSERVAÇÃO. Isto é estudar sem praticar e sentir os resultados não é nada.

Esta entrevista foi feita para Serpente da Lua, www.serpentedalua.com