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2019: novo ano, novo ritmo, novo ciclo Paula Alexandra Oliveira, 11 de Dezembro de 2018

Eis que chegamos a mais um fim de ciclo no nosso calendário gregoriano e aproximamo-nos a passos largos para o Equinócio do Inverno com o dia mais curto do ano em que a sombra é maior do que a luz. Proponho, pois, uma reflexão sobre este tema e deixo a proposta do Ki das 9 Estrelas para aproveitar melhor o ritmo de 2019.
Quem é nosso leitor habitual já conhece o tema, mas, para os que recentemente se juntaram a nós fica aqui uma breve explicação sobre esta poderosa ferramenta de autoconhecimento e dos ritmos cósmicos anuais.
O Ki das 9 Estrelas tem a sua raiz no I Ching- O Livro das Mutações que conta com mais de 4 mil anos de existência, mas os cálculos necessários para a sua interpretação são muito simples e de fácil utilização tornando-o num método fácil de uso diário em todas as situações. É baseado no modelo das cinco transformações da filosofia chinesa, mais especificamente nos trigramas do Baguá que, por sua vez, se relacionam com os números de 1 a 9.
Este método ensina-nos que a cada um de nós, de acordo com o seu ano de nascimento e segundo este cálculo está associado, um trigrama e a uma estrela que recebe a numeração de 1 a 9. Desta associação entre estrelas e trigramas nascem 9 fases ao longo das quais a nossa vida se desenrola e que se repetem de 9 em 9 anos. Ensina-nos também que essas estrelas assumem 9 tipos de personalidade que vão receber a qualidade energética dos 5 elementos da natureza. Assim temos: um tipo de personalidade energética Água estrela 1; uma Fogo, estrela 9; três tipos de personalidade Solo, estrelas 2,5,8; duas Árvore ou Madeira, estrelas 3 e 4; duas Metal estrelas 6 e 7. Assim, primeiro de tudo, todos os que leem este artigo devem conhecer a sua essência energética. Para quem não sabe, deixo aqui o cálculo, é muito simples: somar todos os dígitos de um ano de nascimento até ficar com um resultado entre 1 e 9. Depois, vamos diminuir esse resultado a 11 e obtemos a nossa essência.
Ex.:2+0+1+9= 12, 1+2=3      11-3=8 Solo 8
Mas atenção: O início do ano para este cálculo é ligeiramente diferente. Assim, quem nasce até 3/4 de fevereiro ainda pertence ao ano anterior. E estas datas de 3/4 de fevereiro não são estanques, sofrem alterações conforme o ano. Se nasce entre 1 e 8 de fevereiro, para saber corretamente a que ano pertence tem de consultar um calendário específico ou, melhor, vir aprender connosco mais sobre esta Arte da Astrologia do Ki das 9 Estrelas. Temos um WS sobre o tema a 19/20 de janeiro de 2019.
O ano de 2019 pelo calendário solar que tem início no dia 4 de fevereiro de 2019 nasce sobre o elemento Solo ou Terra. Daqui resulta que todas as crianças que nascem entre 04 de fevereiro de 2019 e de 03 fevereiro de 2020 nascem sobre a matriz do elemento Solo. Partilho aqui o conselho para a vida do mestre Takashi Yoshikawa para os Ming Gua (número da essência) 8:
“Se souber ser leal a uma pessoa mais forte e paciente, a sua vida vai melhorar muito. Tal como a Montanha se mantém inabalável, deve aprender a suportar todas as tempestades e a esperar pela altura certa para agir. E então, atuar duma forma decisiva!”

Mas vamos aos ciclos de 2019:
Os Solo 8 vão estar na Casa 5- Energia Solo
A Casa 5 no Ki das 9 Estrelas é chamada de “o olho do furacão”. A característica mais visível deste ciclo é a sua imprevisibilidade. Se os 4 ciclos anteriores tiverem sido vividos a um ritmo correto esta casa pode trazer muito poder e sucesso. No entanto, os solos 8 têm de cuidar pois a imprevisibilidade deste ciclo pode trazer uma ilusão de poder pessoal que, como qualquer ilusão, não é real. Assim, melhor que grandes decisões e movimento é a quietude, cuidar do centro pois, tudo à volta vai estar em movimento muito acelerado e, a atitude correta é agir apenas se estimulado para tal, mas não procurar nem provocar grandes movimentos ou tomadas de decisão.
Conselhos gerais para os Solos 8 em 2019:
Não iniciar projetos, mas também evitar terminar relações e projetos
Praticar a quietude
Não tomar decisões importantes não estritamente necessárias
Deixar fluir, aceitar eventos bons e maus mantendo o centro
 
Os Fogo 9 vão estar na Casa 6- Energia Metal
 Em 2019 os indivíduos Fogo 9 vão ser convidados a assumir o seu poder pessoal e a assumir mais responsabilidade. Estamos na fase da colheita dos frutos dos ciclos anteriores e, como tal é uma fase que traz, normalmente trabalho e mais responsabilidade. É uma boa oportunidade para colocar “a casa em ordem”. Como influência positiva o ritmo deste ano vai levar os Fogo nove a lidar como a energia de liderança, iniciativa, o autocontrolo e a autoridade. Mas, como Fogo controla Metal a energia do ano pode trazer algum desgaste.  Para melhor equilíbrio assumir o poder pessoal sem, no entanto, criar tensão sobre si mesmo e sobre os outros. 
Conselhos gerais para os Fogo 9 em 2019:
Melhor fase para consolidar projetos
Evitar excessos autoritários, desenvolver a filantropia
Ser organizado, não se isolar, não ceder a tentações depressivas

Os Água 1 vão estar na Casa 7- Energia Metal
Os Água 1 vão estar sob o ritmo mais solto em 2019, apoiados pela energia metal que alimenta Água. A casa 7 é a chamada “festa da colheita”. Depois do trabalho vem o divertimento. Assim, é um ciclo que convida, quando aproveitado de forma correta, a viver o que a vida tem de melhor: viajar, estar com amigos, divertimento, descontração. Mas, atenção: há alguma tendência para excesso de gastos se os Água 1 não cuidarem. É um bom ano para investimentos financeiros quando bem geridos. A harmonia deste ritmo vem de aproveitar o que a vida tem de melhor para oferecer sem, no entanto, ceder a excessos.
Conselhos gerais para os Água 1 em 2019:
Bom ano para disfrutar da vida e evitar a tristeza
Evitar gastos excessivos, evitar investimentos de risco
Organizar bem as finanças para ter retornos adequados

Os Solo 2 vão estar na Casa 8- Energia Solo
Sobre uma influência positiva a casa 8 traz a vontade de interiorizar e a promessa de mudança para uma vida melhor. Num tom menos positivo e se o ritmo dos ciclos anteriores não for bem vivido pode trazer desafios financeiros e alterações drásticas de vida. Para viver em harmonia esta fase o melhor para os Solo 2 é deixar fluir a mudança sem resistência e, estar consciente que, tudo o que vem, vem pelo bem.
Conselhos gerais para os Solo 2 em 2019:
Levantar cedo, não ceder à tentação de estagnar
Refletir profundamente sobre o rumo a dar à vida se não estiver satisfeito

Os Árvore 3 vão estar na Casa 9- Energia Fogo
 A Casa 9 é a chamada casa do palco, da luz, da fama ou infâmia. Neste ano os Árvore 3 podem trazer à luz do reconhecimento todos os projetos que têm na gaveta. É também uma fase, quando sob uma influência positiva de progresso rápido e favorável. No entanto, quando em desequilíbrio, pode trazer difamação e desafios de comunicação.
 Conselhos gerais para os Árvore 3 em 2019:
Trazer à luz projetos pessoais, mas cuidado com o que assina este ano
Regra geral não iniciar grandes projetos porque é uma casa de fim de ciclo

Os Árvore 4 vão estar na Casa 1- Energia Água
A Casa 1 trás a possibilidade e a energia favorável a novo começo. Os Árvore 4 poderão investir em estudo e desenvolvimento pessoal e, principalmente na energia do sonho. O Sonho comanda a vida. Para viver esta casa em harmonia há que cuidar de diminuir o rimo e investir em si próprio.
Conselhos gerais para os Árvore 4 em 2019:
Aproveitar para estudar e para desenvolvimento pessoal
Sonhar novos projetos

Os Solo 5 vão estar na Casa 2- Energia Solo
Esta é uma fase de progresso lento, mas construtivo; bom para enraizar projetos e parcerias. Viver esta fase em harmonia passa por os Solo 5, libertarem excessos internamente e, também na vida exterior. Limpar a vida, sentimentos e pensamentos. Libertar a casa interna e externa.
Conselhos gerais para os Solo 5 em 2019
Desenvolver parcerias
Não ficar muito estagnado, mas também não tentar agir muito depressa ou vão cair em frustração

Os Metal 6 vão estar na Casa 3- Energia Árvore
Esta é a casa do crescimento rápido e abertura de novos caminhos. Para viver esta fase em harmonia os Metal 6 devem aceitar as oportunidades, mas com foco para não ceder à agitação natural que é característica deste ciclo.
Conselhos para os Metal 6 em 2019:
Melhor fase para iniciar projetos desde que mantenha o foco
Evitar a energia de dispersão

Os Metal 7 vão estar na Casa 4- Energia Árvore
Neste ano de 2019 os Metal 7 são convidados a um crescimento com maturação. Para seguir em harmonia o ritmo deste ano há que libertar o processo interno de fazer escolhas e deixar fluir. Bom ano para viagem e consolidação de projetos.
Conselhos para os Metal 7 na casa 4:
Boa fase para desenvolver projetos desde que faça escolhas e manter apenas o que quer realmente manter na sua vida
Procurar comunicar adequadamente as suas intenções

É, no entanto importante reflectir, para melhor aplicar a arte da Astrologia do Ki sobre a importância do ritmo dos ciclos na nossa vida e de que forma é que fazem parte da nossa herança humana.
Desde o princípio dos tempos que o homem vem caminhando entre o Céu e a Terra fluindo e sendo influenciado por estas duas forças antagónicas e complementares num movimento de fricção que promove a mudança de todas as coisas. Esse movimento gera ciclos e, as energias dos Solstícios representam bem este simbolismo.
O Solstício divide o ano em duas fases: seis meses de Sol mais forte que, naturalmente se movimentam no processo de mudança em seis meses de Sol menos intenso. Estes dois ciclos constituem em si mesmos, um novo par de opostos complementares: da mesma forma que luz e sombra, calor e frio, positivo e negativo, tudo espelha e resulta do mundo de dualidade onde evoluímos.
A herança de sabedoria da raça humana sempre soube e cultivou a ideia que, para viver em equilíbrio é necessário que cultivemos em nós esta consciência que tudo necessita de um oposto ou complemento para ter significado e vitalidade e para crescer e evoluir. A interação de princípios complementares promove o movimento e a mudança.
No entanto, podemos nos questionar quem poderá realmente definir com clareza como são definidos os limites entre uma realidade e outra, ou seja, onde, por exemplo, começa a luz e acaba a sombra? O próprio símbolo do yin e yang convida-nos a refletir sobre essa transição pois no lugar da luz temos um pequeno ponto de sombra e, no lugar na sombra temos um pequeno ponto de luz. Esses pontos de passagem são mágicos e misteriosos, não pertencem a este mundo nem a outro e, consequentemente, servem de portal entre as dimensões, realidades e estados de consciência. Por este motivo os solstícios, como momentos de transição entre estações, sempre foram vistos como tempos nos quais os dois mundos (céu e terra) se aproximam. São eventos essencialmente cósmicos terrestres e muito significativos e, ao mesmo tempo, símbolos poderosos dos profundos processos de transformação da psique humana e coletiva.
E, assim, na essência dos antigos festivais de solstícios encontramos uma profunda consideração pelos ciclos. A autora Helena Blavatsky, uma das fundadoras da sociedade teosófica conta-nos no seu glossário teosófico sobre a época natalícia onde nos encontramos: “O nascimento de Cristo, coincide com o Solstício de Inverno no hemisfério norte; a Páscoa ocorre próxima ao Equinócio de Primavera. No Solstício de Verão, celebra-se a Festa do Precursor (São João Baptista, o precursor de Cristo) e são acesas as fogueiras chamadas de Fogos de São João. Temos outras festas distribuídas metodicamente pelo resto do ano. É interessante observar que o Solstício de Inverno ocorre 4 dias antes do Natal e o de Verão dá-se 4 dias antes da Festa de São João.
Desta forma, cada ciclo, seja um dia, um ano, a duração de toda uma vida humana ou a vida de uma cultura, tem um começo, um meio e um fim e é seguido por outro. Viver com sabedoria e equilíbrio consiste em reconhecer o lugar que se deve ocupar em cada ciclo e que tipo de ação ou quietude são apropriadas para cada fase, pois aquilo que pode ser construtivo em determinada fase pode ser destrutivo em outra.
Este tipo de sensibilidade aos ciclos de mudança serviu de base para a antiga filosofia chinesa incorporada no I Ching, O livro das Mutações. O hexagrama que representa o solstício de inverno é o hexagrama Fu, ou “O retorno”, ou “O Regresso” que simboliza o fim do inverno e o retorno da primavera:
O Solstício de Inverno sempre foi celebrado na China como período de repouso do ano. No inverno, a energia da vida está debaixo da terra, toda no interior. O movimento está apenas no início e precisa de ser fortalecido pelo repouso para que não se dissipe quando usado prematuramente. O retorno da saúde após a doença, do entendimento após a confusão; tudo necessita de ser tratado com ternura e cuidado nos inícios para que o retorno leve ao florescimento da primavera. Por isso temos sempre tanto desejo de iniciar coisas novas depois da passagem do ano, é a energia dos inícios que se anuncia com todo o seu esplendor e força.
Podemos, pois, com segurança afirmar que o fluxo dos solstícios, mantêm o equilíbrio entre a Luz e a Escuridão, forma e força, espírito e matéria, num ciclo rítmico que contribui para a integração saudável dos princípios metafísicos no respirar eterno do sopro da VIDA que todos somos.
Procuremos refletir neste momento de transição sobre o equilíbrio da nossa Luz e Sombra e que o ano 2019 chegue com bom ritmo e nos traga a todos paz e tranquilidade e significado nos nossos destinos.
Tudo a fluir~~~